As mãos que tecem e plantam

As mãos que tecem e plantam

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Profissão, pro'ser

A alma é mais geográfica do que histórica.Tem acidentes,relevos,vales e montanhas, está sujeita a secas e tempestades, varia de estação e clima.Ninguém embarcaria se considerasse os perigos da travessia, ela exige confiança e risco.
É preciso respeitar a respiração das palavras ditas e ainda por dizer, isso que a gramática chama de pontuação. Quando estiver contando histórias deixe que as palavras descansem ao fim do conceito, recobrem forças antes de iniciar nova fase, estejam cadenciadas por virgulas sonoras. Não exija delas fôlego maior do que possuem e saiba que encerram curioso mistério, pois as mesmas palavras que servem para registrar o mais insípido documento de cartório prestam-se igualmente para compor as mais belas obras literárias. Elas formulam sentenças de morte e esperança de vida, receitas de veneno e bulas de remédio,declarações de amor e despedida, anuncios de guerra e tratados de paz.
As palavras quando lapidadas pela sensibilidade e intuição, delas podem brotar poesias, tropéis ritmados sobre nuvens de algodão,servem inclusive à própria loucura.Nesse caso,dizem coisas que nem mesmo o raciocínio consegue conter e que extrapolam as leis da grafia, sintaxe e pronuncia, pois refletem essa ireprimível necessidade de exprimir o imponderável,falar o absurdo e revelar o absoluto.

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